quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A PROCURA DA POESIA



Ñ faço versos por acontecimentos,
Pois não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
Não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais
não contam.
Às vezes faço poesia com o corpo,
esse excelente, completo e tão infenso à efusão lírica.
Uma tela em branco.

Minhas lágrimas, caretas ou dores na escuridão
São indiferentes.
Não revelo bem meus sentimentos,
Q se prevalecem do equívoco e tentam uma longa viagem.
O q penso e sinto, isso ainda é poesia.

Não canto minha cidade, deixo-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas,
Nem o segredo das casas alheias.
Ñ é música ouvida d passagem,
é o rumor dos mares nas ruas junto à linha de espuma.

O canto da Natureza
Não é a sociedade.
Para este - o canto - chuva e noite, fadiga e esperança
Nada significam.
A poesia elide sujeito e objeto.
Portanto não tire a poesia das coisas.

Dramatizo, indago, invoco,
Mas ñ perco tempo em mentir.
Procuro ñ me aborrecer.
Meus papéis rabiscados, meus tênis surrados, meus abusos e objetos materiais,
Meus esqueletos d família
Desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Tento não recompôr
Minha sepultada e melancólica infância.
Não oscilo entre o espelho da verdade
E a memória em dissipação...
Q se dissipou,não era poesia.
Q se partiu, cristal não era.

Penetro surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas e sentimentos q esperam ser escritos
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intacta da folha muda.
Solitárias, em estado de dicionário.
Convivo com meus poemas, antes mesmo de escrevê-los.
Tenho paciência qndo obscuros; calma, qndo me provocam.
Espero q cada um tenha seu papel cumprido, consumados ou não
com seu poder de palavra
E seu poder d silêncio.
Não forço o poema e luto para me desprender do limbo.
Não colho do chão o poema q já se fora, se perdera.
Não adulto o poema. Aceito-o.
Assim como ele mesmo aceitará sua forma
Definitiva e concentrada no espaço.

Chegue mais perto e contemple as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
E lhe pergunto, sem interesse na resposta,
Pobre ou terrível, se trouxesses a chave do entendimento.

As palavras, melodias e conceitos refugiados na noite,
Ainda úmidas e impregnadas d sono,
São levadas na correnteza do rio q é minha mente
Correm difícil e se transformam em desprezo.

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