segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
ARTE E SENSIBILIDADE
1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
3) Para se transmitir a outros o q sentimos, e é isso q na arte buscamos fazer, temos q decompor a sensação, rejeitando nela o q é puramente pessoal, aproveitando nela o q, sem deixar d ser individual, é todavia susceptível d generalidade, portanto, compreensível, não direi pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.
4) Este trabalho intelectual tem 2 tempos: a) a intelectualização direta e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmissível (é isto q vulgarmente se chama "inspiração", quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos q reduzam a sensação à frase intelectual (1º. versão: tirem da sensação o q ñ pode ser sensível aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, reforçam o q lhes pode ser sensível); b) a reflexão crítica sobre essa intelectualização, q sujeita o produto artístico elaborado pela "inspiração" a um processo inteiramente objetivo — construção, ou ordem lógica, ou simplesmente conceito d escola ou corrente.
5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte d raciocinar. Simplesmente, do trabalho d intelectualização,
em cuja operação consiste a obra d arte como coisa, não só pensada, mas feita, resultam 2 tipos d artista: a) o inspirado ou espontâneo, em qm o reflexo crítico é fraco ou nulo, o q não quer dzer nada qnto ao valor da obra; b) o reflexivo e crítico, q elabora, por necessidade orgânica, o já elaborado.
Lhes direi, e estou certa q concordarão comigo, q nada há mais raro neste mundo q um artista espontâneo — isto é, um homem q intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; q ñ critica o q faz, q ñ submete o q faz a um conceito exterior d escola ou d moda, ou d "maneira", ñ de ser, mas d "dever ser".
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