quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"MORTE" X "VIDA"

Talvez espante a qm ler isso a franqueza com q vou expôr e realçar a minha mediocridade; advirto q a franqueza é a primeira virtude d uma alma morta.
Na vida, o olhar da opinião, do preconceito, da incompreensão, o contraste d interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgos e os remendos, a ñ estender ao mundo as revelações q faz à consciência; e o melhor da obrigação é qndo, à força d embaçar os outros, embaça-se a si mesmo, pq em tal caso se poupa o vexame, q é uma sensação penosa e a hipocrisia, q é um vício hediondo. Mas, na "morte", q diferença! Que desabafo! Q liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lantejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o q foi e o q deixou d ser!
Pq, em suma, já não há vizinhos, ou amigos d verdade, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. o olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo q pisamos o território da "morte"; ñ digo q ele não se estenda para a "vida", e não nos examine e julgue; mas a nós não há mais exames e julgamentos.
Senhores(as) "vivos", ñ há nda tão imensurável como o desdém dos finados.


- "Memórias Póstumas de Brás Cubas - alterado levemente por mim...

Nenhum comentário:

Postar um comentário