sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
O PROBLEMA DA SINCERIDADE DO POETA
O poeta superior diz o q efetivamente sente.
O poeta médio diz o q decide sentir.
O poeta inferior diz o q julga q deve sentir. Nada disto tem a ver com a sinceridade.
Em primeiro lugar, ninguém sabe o q verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte d alguém querido, e julgar q estamos sentindo pena, pq é isso q se deve sentir nessas ocasiões. A maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana; o q não sente é com qlquer espécie ou grau d sinceridade intelectual, e essa é a q importa ao poeta.
Tanto assim é q ñ creio q haja, em toda a longa história da poesia, mais q uns 4 ou 5 poetas, q disseram o q verdadeiramente, e ñ só efetivamente, sentiam.
Há alguns, mto grandes, q nunk o disseram, q foram sempre incapazes d dizê-lo. Qndo mto há, em certos poetas, momentos em q dzem o q sentem.
Há apenas uma reserva com respeito a Shakespeare: é q o mesmo era essencial e estruturalmente factício; e por isso a sua constante insinceridade chega a ser uma constante sinceridade, dado a sua grandeza.
Qndo um poeta inferior sente, sente sempre por caderno d encargos. Pode ser sincero na emoção: q importa, se ñ é poesia? Há poetas q atiram com o q sentem para o verso; nunk verificaram q não o sentiram.
Chora Camões a perda d sua alma gentil; e afinal qm chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas - tdo menos o soneto e o verso d 10 sílabas. Mas ñ: usou o soneto em decassílabos como usaria luto na vida.
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